Olhando a chuva cair me perco nos meus pensamentos, me sinto presa, paralisada, eu vejo um mundo cheio de possibilidades que se abrem para mim, mas me sinto incapaz de agarrar qualquer uma delas. Dentro dos muros da minha insegurança me tranco a sete chaves e torço para que ninguém note o esforço que tenho para fingir que não me importo em ficar para trás. Não quero ajuda, queria poder me ajudar sozinha, mas me sinto cada vez mais incapaz, eu quero muito conseguir, eu quero muito me movimentar e sair do lugar, realizar aquilo que almejo, dá continuidade aos meus planos, ser alguém admirável. Mas o querer não é suficiente para me fazer correr atrás, o medo de me dedicar ao máximo e mesmo assim não conseguir me deixam em um enorme sofrimento, antes mesmo da decepção vir eu padeço com o fracasso idealizado, com o atestado de incapacidade que sei que já me pertence. É fácil resumir meus sentimentos a drama de alguém preguiçoso e covarde. Porém eu juro que não é fácil estar preso em meio a essas grades que me impedem sequer de conseguir organizar os meus pensamentos. Aqui tens apenas um desabafo de uma alma que perdeu o seu brilho cedo demais e que clama para que um dia a luz reapareça ou pede que todos estejam certos e que tudo isso seja apenas drama de alguém preguiçoso demais, para que assim com algum esforço eu consiga simplesmente mudar.

Mulher, negra, LGBT // Escrevo sobre amor para aliviar a alma. Escrevo sobre a dor para tentar curá-la. Escrevo sobre a realidade para tentar mudá-la.

Mulher, negra, LGBT // Escrevo sobre amor para aliviar a alma. Escrevo sobre a dor para tentar curá-la. Escrevo sobre a realidade para tentar mudá-la.