A vida é feita de desencontros.

No caminho perdi amores.

Amizades.
Desfiz e fiz e refiz relações.

Me perdi também de mim mesma.

Pensei por muitas vezes ter encontrado minha “essência”.

Assim como pensei ter encontrado o amor da minha vida.

E depois os desencontrei.

Descobri que não era nada daquilo que achava ser.

Mudei.

Descobri que amores não são eternos e que relações acabam.

Assim como o amor não é singular.

Depois de uns anos coleciono inúmeros “amores da minha vida”.

Coleciono inúmeras “essências”.

Me desencontrei com o que era certo e seguro.

Tive um encontro com o absurdo, com aquilo que não posso controlar, com a incerteza de não saber o que vem a diante.

Hoje tudo que “tenho" é a certeza que não tenho absolutamente certeza de nada.

Tenho a contradição e a pluralidade do viver.

Tenho começos, finais e recomeços.

Não tenho o eterno, nem o pretendo ter.

Tenho afetos efêmeros, mas verdadeiros.

Tenho a busca pelo desprendimento das minhas idealizações.

Tenho a ânsia de achar que finalmente me encontrei, só para me perder de novo.

O que almejo é conviver bem com o medo e com o adeus.

A felicidade eterna, a vida perfeita, não fazem mais parte dos meus planos.

A vida é feita de desencontros.

E que lindo é se desencontrar.

Mulher, negra, LGBT // Escrevo sobre amor para aliviar a alma. Escrevo sobre a dor para tentar curá-la. Escrevo sobre a realidade para tentar mudá-la.

Mulher, negra, LGBT // Escrevo sobre amor para aliviar a alma. Escrevo sobre a dor para tentar curá-la. Escrevo sobre a realidade para tentar mudá-la.