Carregando uma bacia com várias roupas para lavar. Indo de casa em casa fazer faxina para conseguir alimentar os filhos todos os dias. A mulher que para muitos é invisível, que limpa o chão que você pisa, que lava sua roupa, que faz sua comida e cuida dos seus filhos. A mulher que exerce o mesmo trabalho que seus ancestrais fizeram há anos mas em um sistema diferente de escravidão. E que carrega as marcas de ser sempre posta em seu lugar. O lugar de servidão. Seu corpo não lhe pertence, ele é apenas um instrumento para o seu trabalho. Sua identidade lhe é negada e uma mulher negra médica ou advogada nunca é legitimada, não deve ser competente, o que ela fez para estar aqui ? Aqui não é o seu lugar. O lugar dessa mulher é seguir como sua bisavó, como sua avó e sua mãe, na cozinha, limpando, lavando, servindo, sem questionar, sem falar, sem ter voz, ou mesmo uma existência humana. Continue o ciclo, preto não tem o direito de ser livre, que construam novas senzalas pois eles estão começando a se rebelar, está na hora de colocá-los em seu lugar, hora da chibata cantar. Eu sinto dentro de mim o grito que me impulsiona a escrever, a dizer NÃO, a raiva que pulsa em meu peito diz que eu preciso falar, pois seremos realmente pretos salientes que irão incomodar, nosso lugar não será predefinido pela nossa cor da pele. Nos orgulhamos das nossas ancestrais que trabalharam muito para que pudéssemos chegar onde estamos, e não nos envergonhamos de qualquer tipo de trabalho, porém, precisamos entender que presumir que o local de servidão é onde as mulheres negras se encaixam caracteriza o racismo dando as caras e nos desumanizando outra vez. Nós somos a maioria da população brasileira, devemos sim ocupar todos os lugares independente de quais sejam, nossas vidas importam e nossas existências resistem. Realmente chegou a hora da rebelião, a senzala não nos cabe mais, a servidão não é nosso papel, se preparem pois no lugar da chibata cantará o hino para todos os orixás. Iremos incomodar !

Mulher, negra, LGBT // Escrevo sobre amor para aliviar a alma. Escrevo sobre a dor para tentar curá-la. Escrevo sobre a realidade para tentar mudá-la.

Mulher, negra, LGBT // Escrevo sobre amor para aliviar a alma. Escrevo sobre a dor para tentar curá-la. Escrevo sobre a realidade para tentar mudá-la.