Não quero te culpar, e essa estória é sobre mim, não sobre você, mas quero te dizer que a marca que você deixou foi profunda demais, e me fez refletir sobre como meu jeito de amar pode ser nocivo para mim.

Eu te priorizei, eu me dediquei, dei tudo de mim, talvez até mais um pouco do que eu tinha, porque meu jeito de amar é assim, ele é intenso, ele não vê medidas quando de fato ele é real.

Eu tive medo assim que eu te vi pela primeira vez, porque o meu coração acelerou e eu não conseguia falar uma palavra sem me tremer inteira, eu sabia ali que estava completamente perdida, porque eu sabia, no fundo eu sabia, que mais cedo ou mais tarde você me deixaria.

Eu sempre tive medo dos começos, porque eles nos dão uma noção do quão o final pode ser dolorido, e eu sabia que no nosso final eu iria sofrer.

Se as estórias fossem contadas de trás para frente, eu teria corrido muito mais, fugido muito mais, porque eu sei que valeu a pena ter sofrido no final por tudo que aconteceu no meio da nossa estória, mas eu também sei o quanto me doeu juntar os pedacinhos que restaram de mim, depois do seu adeus.

Você me quebrou. Me quebrou porque eu me dei por inteiro pra você. Me quebrou porque eu nunca havia amado alguém como eu te amei. Me quebrou porque eu sabia no minuto seguinte ao nosso término que eu queria muito mais de você, muito mais de nós. Eu ainda tinha muito para te dar. Mas você não quis receber.

Você não me quebrou por ser uma parte ruim da minha estória. Por ter sido um desastre total na minha vida. Você me quebrou pelas expectativas que eu criei. Me quebrou porque eu esperava muito que você me quisesse como eu te queria. Me quebrou por fazer exatamente o que eu devia ter feito. Me colocar acima das suas necessidades. Me amar mais do que te amava.

Eu sei que o erro foi meu e que no fundo você precisava me quebrar, pra eu entender que me doar e me entregar, não precisam ser sinônimos de renunciar a mim, não precisam ser sinônimos de uma total dependência de um outro alguém.

Você me quebrou, eu juntei meus pedaços e no meio desse processo eu comecei a aprender a amar de um jeito que não me deixasse tão mal no final.

A amar sem pensar no fim, e a não me importar tanto com a incapacidade de ter um amor eterno, a aceitar que tudo na vida só pode ser eterno enquanto durar. Então eu te agradeço por ter me quebrado e te digo verdadeiramente adeus, sem dor, sem mágoa e sem nenhum arrependimento.

Mulher, negra, LGBT // Escrevo sobre amor para aliviar a alma. Escrevo sobre a dor para tentar curá-la. Escrevo sobre a realidade para tentar mudá-la.

Mulher, negra, LGBT // Escrevo sobre amor para aliviar a alma. Escrevo sobre a dor para tentar curá-la. Escrevo sobre a realidade para tentar mudá-la.